Mário Faustino
 
 

Mário Faustino dos Santos Silva nasceu no Piauí, em Teresina, no dia 22 de outubro de 1930. Aprendeu a ler e a escrever muito cedo e seus familiares contam que sua brincadeira predileta era de escritor. Também cedo deu prenúncio de talento para as letras, pois aos nove anos de idade escreveu um conto que deixou a todos positivamente impressionados. Chamava-se “No reino da morte” e contava a história de um lugar onde morriam todas as pessoas que logravam alcançá-lo.

Em 1940, muda-se para Belém do Pará onde o “vento sacode o mundo” e a “manga explode no dorso/ – vida” . Ali conclui seus estudos e aprende inglês. Declaração de sua professora da terceira série do clássico dá conta de um menino simpático, comunicativo, inteligente e estudioso, com desembaraço redacional e boa leitura, mas que não era dado a muitos arroubos. A única vez em que o vira realmente entusiasmado em classe foi durante um debate sobre o papel do indianismo na literatura brasileira, quando um colega criticou o “classicismo” em José de Alencar, opinião contra a qual Faustino teria se manifestado com veemência.

Já aos dezesseis anos trabalha para o jornal matutino A Província do Pará, escrevendo crônicas sobre literatura e cinema e atuando como tradutor de telegramas nacionais e estrangeiros (falava inglês desde os nove). A partir de 1948 colabora com o suplemento literário de A Folha do Norte, como tradutor de poetas franceses, ingleses, espanhóis e norte-americanos, publicando ali seus primeiros poemas. Em 1949 irá se transferir para este conhecido jornal, onde chega a chefe de redação.

Em 1948, o professor Francisco Paulo Mendes publica um artigo intitulado “O poeta e a rosa”, onde discorre longamente sobre os poemas até ali publicados , dando a primeira notícia sobre a poesia de Faustino . Também neste ano Faustino funda com os amigos Benedito Nunes e Haroldo Maranhão a revista literária Encontro e participa da instalação da Associação Brasileira de Escritores, em Belém.

Abandonou sem concluir, a faculdade de Direito, no 4º ano, e em 1951 estava nos Estados Unidos, freqüentando curso de Língua e Literatura Inglesa, para o qual conquistara bolsa em concurso internacional promovido pelo Institute of International Education. Estudou no Pomona College, em Covina, Califórnia e prestou estágio no Los Angeles Mirror.

Quando regressou a Belém, Faustino já falava e escrevia perfeitamente inglês e francês e se expressava satisfatoriamente em espanhol e italiano. Iniciou, então, um curso de alemão em aulas diárias e logo conseguiu desembaraçar-se bem nessa língua, o que o ajudou nas viagens que fez pela Europa em 1953, integrando uma embaixada de acadêmicos de Direito. Visitou a Alemanha, Dinamarca, Bélgica, Holanda, Áustria, Suiça, Portugal, Espanha, França e Inglaterra. Percorreria, ainda, nas Américas, Cuba, México, República Dominicana, Venezuela, Chile, Argentina e Uruguai.

De volta ao Brasil, travou amizade com o poeta norte-americano Robert Stock, que estava morando em Belém. Com ele Faustino declarava ter aprendido o trabalho sistemático e a dedicação extrema à poesia, o real work, na expressão do norte-americano . Trabalhou como chefe de coordenação e divulgação da SPVEA, antecessora da SUDAM e foi ao Rio de Janeiro, no interesse deste cargo, freqüentar curso de Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas, onde seria contratado como professor, vindo a deixar Belém do Pará em 1956. Já havia publicado um ano antes (no Rio de Janeiro) o seu livro de poesias O homem e sua hora.

Uma vez no Rio de Janeiro irá intensificar sua produção tanto poética como crítica. Colabora no Correio da Manhã, é editor chefe do jornal A Tribuna da Imprensa – de onde pede demissão juntamente com Paulo Francis, em solidariedade a Millôr Fernandes, que foi demitido por ter escrito artigo sobre a corrupção na imprensa –  e lança a página “poesia-experiência” no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, a qual dirige por pouco mais de dois anos, de 23/9/56 a 11/1/59, quando é incorporado ao quadro de redatores do jornal.  

Durante o período em que publicou sua coluna de crítica literária no Jornal do Brasil, Mário Faustino veiculou no país um amplo debate sobre o panorama da poesia brasileira e internacional ao mesmo tempo em que apresentou uma nova perspectiva à prática de crítica poética no Brasil. Exclusivamente dedicada à poesia (talvez a primeira com este feitio), sua coluna divulgava desde os textos clássicos até os grandes nomes contemporâneos e também os poetas estreantes, que Faustino “descobria” e fazia questão de apresentar lado a lado com os nomes já consagrados, sendo, como ele mesmo chamava sua coluna “uma tribuna e uma oficina”.

A página se dividia em seis seções: “O melhor em português”, que apresentava autores de língua portuguesa, clássicos e estreantes; “É preciso conhecer”, onde divulgava escritores estrangeiros modernos, traduzindo e comentando suas obras; “Clássicos vivos”, apresentava os poetas clássicos de diversas nacionalidades; “Fontes e correntes da poesia contemporânea”, incluía textos teóricos sobre poesia publicados por diferentes autores; “Evolução da poesia brasileira”, buscava captar e divulgar todos os movimentos, correntes e tendências da poesia brasileira contemporânea; “Diálogos de oficina” eram reflexões sobre o fazer poético conduzidas por poetas artesãos (personagens fictícias), que conversavam enquanto desenvolviam seu trabalho, e ainda uma pequena antologia, exemplificando a linguagem poética, em versos que o autor da página considerava grandes realizações e chamava “Pedras de toque”.

Inteiramente engajado no processo da criação poética, Faustino desejava que sua coluna fosse um instrumento para estimular o conhecimento teórico e prático de poesia e assim promovesse o estímulo à formação de novos poetas e a revitalização do gênero no país. Ao trazer ao conhecimento do público leitor de jornais os nomes que surgiam no cenário da poesia brasileira, Faustino punha em prática suas teorias sobre renovação poética tomadas do conceito de “make it knew” introduzido pelo poeta norte-americano Ezra Pound. Pensava, assim como Pound, que esta renovação, tão necessária ao fazer poético, não era possível sem tomar por base o imenso manancial de obras que a tradição poética oferece, sua riqueza e variedade de temas e formas. Trazendo ensinamento sobre técnicas de expressão literária, desde o soneto até a poesia concreta, e alertando aos poetas principiantes para os conhecimentos que poderiam auferir da leitura dos grandes poetas, sua página no Jornal do Brasil selecionou, traduziu e comentou obras dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos, bem como de autores estrangeiros como Mallarmé, Apollinaire, Baudelaire, Whitman, Eliot, Poe e Pound, sendo este último, sua fonte inspiradora no ideal de re-atualizar formas do passado em função de experiências poéticas do presente . Seu lema era “repetir para aprender, criar para renovar” exatamente “como Sá de Miranda fez com Petrarca. Como Camões fez com Petrarca e Sá de Miranda” , e pregava que aprender e ensinar mantinham viva a poesia contemporânea.

Além deste ideal de docência, que o poeta piauiense confessava, outra grande marca de sua página de crítica era o alto teor de isenção e de inovação com que seu texto se apresentava. Problemas que detectou no jornalismo literário do país, acabaram por servir-lhe de inspiração para criar um modo revolucionário de fazer crítica. “Corrigir de forma educativa” o que considerava uma “caótica escala de valores”, a “falta de auto-crítica”, falta de  amigos e confrades sinceros”; e a ausência de uma “crítica dinâmica, inteligente e honesta”, era seu objetivo . Grande conhecedor e estudioso da poesia ocidental e, sobretudo, um adepto da importância da movimentação de idéias qualificadas, Faustino primou sempre por produzir uma crítica fundamentada em conceitos éticos, que fosse “independente em tudo e de tudo”, conforme ensinou Machado de Assis no seu “Ideal do crítico”, sem, portanto, a preocupação de render homenagens aos da “plêiade imortal”. Pronunciou julgamentos com ousadia e independência, o que lhe rendeu alguma antipatia, talvez, diria ainda Machado de Assis, por estar tratando com o “que há de mais susceptível neste mundo, que é a vaidade dos poetas” (sic).

Sobre o “temperamento” da crítica de Faustino, o colega de redação, Paulo Francis, gostava de comentar um episódio, segundo ele, famoso nos corredores do Jornal do Brasil: um “poetastro” teria ido, acompanhado de alguns acadêmicos, procurar a Condessa Pereira Carneiro, então proprietária do jornal, para pedir-lhe que não permitisse que Mário Faustino fizesse a crítica de um livro que iria lançar. A Condessa, intrigada, inquiriu o poeta: “se o livro é inédito, como o senhor sabe que ele não vai gostar?”

A partir do seu texto crítico e da correspondência que deixou, assim como da observação de sua sensibilidade poética, podemos detectar um homem ligado ao seu contexto histórico,  cidadão do mundo, observador atento das mudanças que se operam na sociedade, que ele registra e denuncia. Interessado no desenvolvimento da cultura contemporânea, cobrava posicionamento dos intelectuais e exigia participação e envolvimento crítico dos poetas. Permaneceu um pensador de seu tempo, que jamais separou a questão histórica da existencial, por isso, a reflexão sobre a experiência humana, refletida em sua escritura, envolvia pensar o mundo como um todo orgânico desde o início dos tempos até o futuro do homem.

Em carta a Benedito Nunes datada de 14 de setembro de 1960, declara: “Meu querido Bené, escrevo-te enquanto se faz a história” . Estava no segundo andar do edifício das Nações Unidas em Nova Iorque, trabalhando como tradutor e correspondente durante uma reunião do conselho de segurança. Eram tempos tumultuosos aqueles logo após a revolução cubana, no auge da crise dos mísseis. Depois de permanecer por um ano desenvolvendo as atividades no departamento de informações públicas da ONU, volta ao Brasil para assumir o cargo de diretor adjunto de centro de informações da Organização até junho de 1962, quando retoma atividades no Jornal do Brasil, órgão de que se licenciara para a viagem aos Estados Unidos, mas lá permanecendo por pouco tempo. Na madrugada do dia 27 de novembro de 1962, o poeta tomou o avião que o levaria para uma viagem ao México, Estados Unidos e Cuba, onde faria uma série de reportagens. A dezesseis minutos da aterrisagem no sul de Lima, em Cerro de Las Cruces, seu avião chocou-se com a cordilheira e explodiu no ar, matando tripulantes e passageiros, num total de 97 pessoas. O corpo de Mário Faustino jamais seria localizado, permanecendo insepulto, e “mimetizando” seu poema de 1955, “O mito”:

Ser em forma de pássaro
Sonora envergadura
Ruflando asas de ferro sobre o fim
Dos êxtases do espaço,
Cantando um canto de aço nos pomares
Onde o tempo não treme,
Onde os frutos mecânicos
Rolam sobre sepulcros sem cadáver;

No suplemento Literário d’O Estado de São Paulo, em 9 de julho de 1966, Haroldo Maranhão comenta a partida súbita de Faustino e dá conta de fatos que antecederam essa viagem. A longa citação oferece detalhes dos eventos curiosos que marcaram os últimos dias do poeta:

Depois veio a saber-se que muito vacilou em empreender essa derradeira viagem. Várias vezes transferiu-a sem motivo aparente. E procedeu de forma estranhável, deixando com a mãe adotiva, no momento de embarcar finalmente, uma carta contendo instruções minuciosas de como deveria proceder na sua ausência e na eventualidade de alguma coisa acontecer-lhe. Tantas viagens realizara, sem que tivesse tido tal cautela. Uma coisa parece certa: assaltara o poeta a premonição da morte, que tanto celebrou em seus versos e que constitui um dos temas permanentes em sua obra. Singular episódio, verificado em sua última viagem a Nova York, confirma isso certamente. Um amigo emprestara-lhe seu apartamento naquela cidade e, uma tarde, Mário Faustino abriu ao acaso o catálogo de telefones com o intuito de localizar a lavanderia mais próxima. Seu olhar colidiu em duas linhas: nome e direção de uma astróloga irlandesa. Como era espírito irrequieto, foi tomado pelo desejo de ouvir a voz da irlandesa, fazer-lhe perguntas, trocarem idéias; e telefonou-lhe. Antes que pudesse explicar o acaso, intimou-o a outra que fosse ter com ela, incontinenti, para uma entrevista absolutamente necessária, tomasse um táxi, ela o atenderia logo, apesar de estarem vários clientes à espera. Levado por pura curiosidade intelectual, e imaginando que se tratasse de uma pobre senhora em dificuldades financeiras, não se escusou Mário Faustino ao encontro. De fato havia pessoas aguardando a palavra da frenóloga, como também se intitulava ela. E não obstante narrasse o episódio de modo divertido, rindo ele próprio da experiência excitante, deve ter ficado momentaneamente embaraçado: a astróloga, rápida e incisivamente, reconstituiu-lhe coisas acontecidas, de maneira fulminante e exata, revelando-lhe circunstâncias pessoais e muito íntimas, parecendo desnecessário ressalvar que Mário Faustino, pelo seu espírito vigilante e perspicaz, não poderia ser ludibriado assim como alguém desavisadamente pudesse supor. Em seguida, disse-lhe a irlandesa mais ou menos isto:

O senhor está próximo de uma encruzilhada decisiva de seu destino. Poderá chegar às culminâncias da glória em sua pátria; ou um acontecimento cortará tudo de um só golpe. Está no seu arbítrio contornar esse acontecimento.
E encerrou a entrevista, recusando o pagamento oferecido, o que o poeta levou à conta, naturalmente, de um truque promocional.

A respeito de seu desaparecimento, “ruflando asas de ferro sobre o fim”, diria o amigo Paulo Francis, que foi “rápido, brilhante e total como a imaginação do poeta”.

O projeto do poeta que queria fazer de sua vida uma longa experiência de poesia, foi interrompido pelos deuses . Repentino como num relâmpago, “para dar-lhe mais tempo de luz”, a moira enlaçou o vate em pleno movimento. Restaram o vigor e a qualidade de sua obra poética e crítica, que permanecem revelando um cuidadoso trabalho de elaboração e valorização do texto literário. Em poema, inédito até a sua morte, o poeta escrevera:

toda vida
É perfeita. e pungente, e raro, e breve
É o tempo que me dão para viver-me”.

 

Excerto da Dissertação de Mestrado em Literaturas Brasileira, Portuguesa e Luso-Africanas, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 2008.


 

Do poema “Meninada apostando corrida com chuva”, p. 137, vs. 6-8.

Professora Maria Annunciada Chaves, do Colégio Paes de Carvalho, na apresentação da conferência pronunciada no Conselho Estadual de Cultura do Pará em 28/5/1985. Cf. NUNES, Benedito. A obra poética e crítica de Mário Faustino. Belém: CEJUP, 1986.

Faustino estréia em 1948 com os Poemas: “1º Motivo da rosa” e “2º Motivo da rosa”, publicados em 25 de abril no jornal Folha do Norte. Segundo sua biógrafa, Lilia Silvestre Chaves, teria surpreendido os leitores da Folha a crítica apaixonada dirigida ao novo poeta por Francisco Paulo Mendes, por se tratar de “um dos intelectuais mais eminentes da sociedade paraense”. O professor da Universidade Federal do Pará, ensaísta e crítico de arte e literatura, era a figura em torno da qual se reuniam os escritores e artistas mais jovens atraídos por seu conhecimento e inspiração, tendo influenciado poetas e prosadores como Ruy Barata, Paulo Plínio de Abreu, Haroldo Maranhão e Benedito Nunes além do próprio Mário Faustino, que começara a escrever poemas por sugestão do professor. CHAVES, Lilia Silvestre. Mário Faustino: uma biografia. Belém: SECULT, 2004, p. 150-163.

Publicado nas páginas 1, 2 e 3 do número 76 do Suplemento Arte-Literatura do jornal Folha do Norte, em 25 de abril de 1948. Apresentado na íntegra  por Albeniza Chaves em: CHAVES, Albeniza de Carvalho e. Tradição e modernidade em Mário Faustino. Belém: UFPA, 1986, p. 266-277).

A Robert Stock, Faustino dedicou o poema “Estrela roxa”, p. 84-85.

SPVEA: Superintendência da Valorização Econômica da Amazônia. SUDAM: Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia.

PROJETO Releituras. 1996. rэleituras. Disponível em <http://www.releituras.com/millor_bio_imp.asp> Acesso em 27 nov 2007.

Dados fornecidos pela pesquisadora Maria Eugênia Boaventura. FAUSTINO, Mário. Artesanatos de poesia. Organização de Maria Eugenia Boaventura. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 14.

Comentário extraído de relatório publicado no SLJB em 2/9/1956, que faz um balanço das atividades da coluna de Faustino. FAUSTINO, Mário. Poesia-experiência. Organização de Benedito Nunes. São Paulo: Perspectiva, 1977, p. 8.

É amplamente conhecida e divulgada a influência de Ezra Pound no estilo de crítica literária que Mário Faustino desenvolveu e a sua simpatia pela obra poética do escritor americano. O nosso poeta faz, porém, questão de deixar claro, em ensaio sobre Pound publicado no Jornal do Brasil que “a posição política do responsável por este escrito é diametralmente oposta à de Pound”. FAUSTINO, Mário. Poesia-experiência. Organização de Benedito Nunes. São Paulo: Perspectiva, 1977, p. 197.

AZEVEDO, Reinaldo. Mário Faustino: de volta ao eterno. In: Contra o consenso: ensaios e resenhas. São Paulo: Barracuda, 2005, p. 95.

FAUSTINO, Mário. De Anchieta aos Concretos. Organização de Maria Eugenia Boaventura. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 29-30.

MACHADO de ASSIS. O ideal do crítico. In: Obra completa, v. 3. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992, p. 799-800.

FRANCIS, Paulo. Um depoimento. In: FAUSTINO, Mário. Poesia de Mário Faustino. Organização de Benedito Nunes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966, conta-capa. 

CHAVES, Lilia Silvestre. Mário Faustino: uma biografia. Belém: Secult; IAP; APL, 2004, p. 44.

P. 90, vs. 3-10.

MARANHÃO, Haroldo apud CHAVES, Albeniza de Carvalho e. Tradição e modernidade em Mário Faustino. Belém: GEU/ UFPA, 1986, p. 5-6.

FRANCIS, Paulo. Um depoimento. In: FAUSTINO, Mário. Poesia de Mário Faustino. Organização de Benedito Nunes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966, contra-capa. 

Em carta a Walmir Ayala, Faustino diz: “Que será da minha velhice? A esperança é que os amados dos deuses morrem cedo; que me amem os deuses! duvido muito” (sic). Parafraseava um poema de Hoelderlin: “Mas, favoráveis ainda aos homens, eles [os deuses]/ Os amam o quanto deles são amados;/ E muita vez tolhem, para dar-lhe/ Mais tempo de luz, o curso do homem”. FAUSTINO apud CHAVES, Lilia Silvestre. Mário Faustino: uma biografia. Belém: Secult; IAP; APL, 2004, p. 88.

Do poema “E nos irados olhos das bacantes”, p. 167, vs. 13-15.