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Chimarrão

Amargo doce que eu sorvo
Num beijo em lábios de prata.
Tens o perfume da mata
Molhada pelo sereno.
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão
Traduz, no meu chimarrão,
Em sua simplicidade,
A velha hospitalidade
Da gente do meu rincão.

Trazes à minha lembrança,
Neste teu sabor selvagem,
A mística beberagem,
Do feiticeiro charrua,
E o perfil da lança nua,
Encravada na coxilha,
Apontando firme a trilha,
Por onde rolou a história,
Empoeirada de glórias,
De tradição farroupilha.

Em teus últimos arrancos,
Ao ronco do teu findar,
Ouço um potro a corcovear,
Na imensidão deste pampa,
E em minha mente se estampa,
Reboando nos confins ,
A voz febril dos clarins,
Repinicando: "Avançar"!
E então eu fico a pensar,
Apertando o lábio, assim,
Que o amargo está no fim,
E a seiva forte que eu sinto,
É o sangue de trinta e cinco,
Que volta verde pra mim.


Peosia: Glaucus Saraiva

Como preparar:

1. Bota a água pra esquentar, tchê;
2. Pega a cuia "seca" e coloca 2/3 de erva-mate;
3. Tapa a cuia e a inclina ao ponto de encostar a erva-mate num lado. Pode utilizar um aparador, prato ou até mesmo a própria mão para tapar a cuia;
4. Completa a cuia com água fria, deixando-a descansar, inclinada, por uns dez minutos;
5. Tapa a boca da bomba com o dedo polegar e coloca dentro da cuia descendo-a rente à sua parede, para que não fique ao meio da erva e não tranque teu chimarrão;
6. Coloca água quente (que não pode ferver, animal!) e, se quiser, cospe fora o primeiro mate;
7. Tá pronto! Boa mateada!

chimarrao

Tu tá ouvindo Noel Guarany, tchê.